A ciência da meditação
Olá Amigos do Bem! Esta semana esteve em São Paulo o Rinpoche Yongey Mingyur (www.tergar.org), que deu cursos para budistas e palestras abertas a todos os públicos. Para quem já o conhece, sabe que ele foi um dos monges escolhidos pelo Dalai Lama para ir fazer testes científicos de meditação nos Estados Unidos nos anos de 2002, 2003 e 2005, e também deve saber que ele é considerado pela ciência como o Ser mais feliz do mundo, depois de constatarem que a área da felicidade do cérebro dele se ativa 700% mais que a média das pessoas. Na sexta-feira fui vê-lo na palestra da Faculdade Paulista de Medicina - UNIFESP sobre o tema: A ciência da meditação. O auditório estava lotado, e me chamou muito a atenção a quantidade de profissionais de medicina, enfermagem e terapeutas presentes, interessadíssimos e com perguntas bem focadas. Fiz um resumo do que ele falou, numa tradução livre, e compartilho com vocês. Yongey Mingyur falou sobre a Meditação analítica, testada nos laboratórios.
Porém, antes ele repetiu o que Buda disse: "Não acredite nas minhas palavras como verdade, comtemple-as e se você sentir que são verdades para você, então acredite" (Buddha said: "don't take my word as truth, contemplate and if you feel it's for you, take it"). A experiencia nos EUA foi com 17 meditadores que tinham no mínimo 10 mil horas de meditação (se fizermos uma continha rápida, quem medita 2 horas/dia, leva quase 14 anos para poder ser um candidato ao teste). Os testes incluiram exames biológicos, hormonais, e neurológicos. Ele tinha de meditar dentro do scanner de ressonância magnética alternando o modo de meditação de acordo às ordens dos médicos. Basicamente, eles se preparavam, entravam em estado de meditação e depois tinham 90 segundos para meditar, alternando entre três tipos de meditação: estar presente com a mente aberta, com a mente focada, e compassiva de acordo com as ordem dos médicos. Durante os teste eles também eram submetidos a diferentes sons, imagens, palavras, visando forçar sensações que poderiam tirar o foco e intenção da meditação. Em resumo, os três resultados dos testes realizados: 1- neuroplasticidade da mente= as ondas gamas se alteram. O cérebro tem poder ilimitado de mudar e se organizar de maneiras diferentes até mesmo mudar as características de suas células. Todos podem mudar. O mais importante é o fato de haver esperança para todos, e aquilo que os médicos acreditavam ser determinante, ficou provado que não é. 2 - meditar permite mudar os padrões da mente. As mudanças da meditação são mais duradouras, pois alteram o estado de consciência por longos períodos, enquanto que os remédios e drogas alteram temporariamente. 3 - mudanças positivas na mente refletem diretamente em melhoras no corpo: diminuir stress, nivel de toxissidade, etc Quando questionado sobre a dificuldade que o ocidental tem para se concentrar, ele deu uma dica: Se a mente estiver perturbada (a mente do macaco louco), devemos dar um trabalho para ela se concentrar e assim ela estará livre para meditar (devemos dar um trabalho/problema para o macaco louco e ele se distrairá com o trabalho liberando-nos para fazer o que quisermos com a mente, no caso, meditar). Quando perguntado sobre os medos, ansiedades e fobias, ele respondeu: "ter pensamentos e emoções não tem problema. Você pode usá-los. O problema é quando eles usam você. A meditaçao é um ótimo trabalho para acalmar a mente perturbada (deixe o macaco louco ocupado com os problemas e libere-se deles). Medos, ansiedade, problemas, podem e devem ser suportes para a meditação para gerar o bem-estar". O ponto importante é: quem lidera quem, ou você domina o medo ou ele domina você? Através da metáfora da lareira, ele explicou que o fogo aumenta com o combustível que jogamos nele. Assim, os medos e ansiedade são como combustível da mente que aumentam os problemas. Sobre a Meditação analítica ele citou que ela tem como característica conceitualizar tudo, para então poder ir além do conceito, e entrar em estado de awareness e na "vacuidade" (a vacuidade não é o estado do vácuo, do vazio, mas do todo, onde o vazio também está incluído). Portanto, na Meditação analítica a mente partirá do concreto e trilhará por dimensões de sub-divisões do atomo até eles deixarem de serem observáveis pelos conceitos da mente, e então se entrará num campo de energia novo, onde se percebe, mas não se pode descrever o observado. Isto é a vacuidade: a mente além dos conceitos. Ao chegar na vacuidade as obscuridades desaparecem, os conceitos desaparecem e a sabedoria é presente, assim como a compaixão, o amor, a paz, a felicidade. Quando perguntado se era um iluminado, ele humildemente disse que no Budismo Tibetano é proibido mostrar o que se deve fazer ou ser. O budista não deve se exibir, nem demonstrar o que é. Você jamais ouvirá de um budista tibetano que ele é um iluminado, mesmo que ele seja um. Alguém perguntou sobre como podemos mudar, e ele explicou que não precisamos mudar, mas apenas reconhecer o que já somos: "A natureza de todos os Seres é boa. Mas não podemos reconhecer isso." Ele disse que ninguém pode nos mudar e fazer mudanças na nossa mente, pois é de nossa experiência individual que surgem as possibilidades novas. "Através do esforço próprio e meditação podemos ajudar-nos a reconhecer essa natureza bondosa". Eu ouso complementar o que ele disse com uma metáfora do rádio: ninguém pode ouvir a música por nós. A experiência é individual. Temos de meditar, praticar individualmente, não adianta comprar livros de meditação para conhecermos o que é a técnica. Não adianta fazer um curso de meditação e dizer que sabe meditar. Meditar é um ato em si, de infinitas possibilidades, quando praticado diariamente. Depois de ouví-lo e aprender que a nossa mente pode mudar totalmente através da prática da meditação, perguntei se nossa mente tem o poder de influenciar e mudar a mente de outros. Ele disse: não há duas mentes, a minha e a sua. Há uma só mente. Portanto, quando eu mudo a minha experiência individual, e você muda a sua, estamos mudando a experiência de todos os Seres. A minha prática e iluminação influenciará a todos os Seres, assim como a de todos que meditam. É isto aí! Que bom que a ciência se convenceu do poder da meditação para o bem-estar físico e mental. Seja Feliz! Todos os Seres, meditadores ou não, merecem ser felizes. Abraços, Marcos Souza Aranha
Publicado às 10h53. Antes de agir, pergunte-se: estou consciente das consequencias e responsabilidades do meu ato?

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