Há 30 anos eu passei no vestibular da faculdade e também no exame do CPOR. Naquela época, quem era obrigado a servir o Exército podia optar entre ser soldado, cadete ou tinha de concorrer no CPOR na proporção de 2000 jovens para uma vaga. Não era fácil passar nos testes escritos e físicos, mas minha barriga não tinha esse tamanho, jogava polo aquático e o vestibular tinha me preparado para as difíceis provas e passei.
Junto com outros 119 jovens, entrei para a Infantaria, a Arma nobre para uns, pé de barro para outros invejosos. Tornei-me o aluno 64, com o nome de guerra ARANHA. O ano de 1979 foi fisica e mentalmente duro para mim. Fiz o 1o ano da faculdade a noite junto com o CPOR pela manhã e às vezes a tarde também. Chegamos a ficar de prontidão no quartel, pois o Brasil quase mandou tropas para a guerra do Irã e Iraque (naquele ano o Sadan Hussein era apoiado pelos americanos, veja só).
Mas 1979 foi um dos anos mais gostosos que vivi, onde pude aprender muitas coisas boas que até hoje trago para minha vida, e outras que descartei assim que sai do quartel na certeza que tinha sido apenas uma experiência temporária. Para mim, a hierarquia é algo que ficou na porta do quartel, pois competência e habilidades não podem seguir regras de tempo e cargos ou postos.
No CPOR vivíamos a vida com muita intensidade, as alegrias eram ALEGRIAS, os medos eram MEDOS, as amizades tornaram-se DURADOURAS. Ontem, 30 anos depois da formatura, um grupo de Infantes tiveram a ótima ideia de reunir a todos para uma festa onde a amizade estava presente nos olhares, apertos de mãos, abraços e beijos (quem disse que homem não pode ser carinhoso com os amigos sem viadagem).
Foi muito gostoso rever os amigos que um dia compartilharam muitos momentos divertidos, de ralação nos acampamentos, pagando flexões e polichinelos, e principalmente de colaboração para que todos amadurecessem juntos. Amigos que vieram de longe, de outros estados do Brasil, do exterior. Um dos Amigos do Bem, leitor fiel desse blog, o Nathan, que mora em Israel, estava lá, e conversamos como se tivéssemos nos visto ontem e não há 30 anos. Enfim, os organizadores do encontro tiveram ótimas ideias, discursos sérios, de gozação, brincadeiras divertidas como cantar os hinos matinais da Nobre Infantaria e do CPOR. Foi comico, para não dizer outra besteira e acredito que os clientes da churrascaria devem ter pensado o que estaria ocorrendo na sala reservado onde estávamos de onde vinha um som desafinado de quase 100 marmanjos.
Foi uma noite inesquecível, como as muitas passagens que vivemos juntos em 1979. Aos organizadores fica a minha gratidão por terem me proporcionado ótimos momentos ao lado de pessoas que muitas boas memórias meu coração e mente guarda.
Fiz três vídeos com o celular e tirei algumas fotos de baixa qualidade, mas vale compartilhar aqui para sentirem o clima e a diversão.
Seja Feliz! Todos os Seres merecem ser felizes.
Abraços, Marcos Souza Aranha
p.s- como curiosidade dos sinais do tempo (fora a cor ou ausência de nossos cabelos e a largura de nossas cinturinhas), abaixo estão duas fotos daquilo que hoje chamamos Alphaville.
Publicado às 03h14.
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